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EDITORIAL No. 91
SEMPRE ME VI COMO PERSONAGEM
por ANTONIO MIRANDA
Sempre me vi como um personagem que eu ia moldando e desconstruindo... Nos textos, nas relações humanas, nas fotografias. Algumas impublicáveis. Mas nunca fui radical ao ponto de mutilar-me, de partir para uma body sculpture, para tatuagens e piercings, mas nenhum com quem os faz.
No meu caso, sempre tive uma postura mais teatral, mais interior e o corpo deveria espelhar personalidades diferentes e nenhuma em particular.
Não foi o genial Walt Whitman — que eu já lia com fervor, na juventude — que escreveu o “Canto a mim mesmo? —
Por que não posso, voltado para os cenários vividos, fazer o culto do “poeta enquanto poem”, mesmo reconhecendo suas limitações...
Até porque sempre retornava à rotina, a um standard, numa época tão estigmatizada pelos preconceitos. Louvo sempre ao jovem que resistia àqueles cerceamentos e não àqueles tempos pois, sem nenhum saudosismo, nunca os veria como “anos dourados”. Eram de luta...
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